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O Professor prometeu aos seus alunos não mais se atrasar, mas acabou
descumprindo a promessa, colocando a culpa neles. “Vocês são o motivo do meu atraso. Por ainda querer que aprendam algo eu continuo vindo aqui, apesar da minha desorganização.”

Falam que meia é só metade
Mas meia é uma palavra inteira
E metade, todo mundo sabe, também

Falam que longe é só saudade
Mas longe é perto pra quem ama
e perto, é longe, pra quem quer que seja 

Você já percebeu que a luz contínua não chama tanta atenção quanto um lume após um vaga-lume?  Deve ser por isso que este nos encanta tanto com seu lume intermitente, ou pelo menos, encantava.  As grandes idéias também são assim, precisam de uma pausa entre uma e outra para percebermos que as estamos tendo, pois, mesmo quando não as julgamos imprescindíveis, ao menos, porque antecedidas por um afélio, têm mais luz.  Se tudo na vida é assim, dia e noite, semana e fim de semana, vida e morte, alegria e tristeza, porque ingenuamente esperamos que tudo seja uma interminável felicidade?

A Felicidade também tem seus subúrbios.

A pipa é um exemplo de felicidade suburbana, que talvez não ganhasse um apêndice na história da ciência, mas que não precisa de muita ciência, mais do que da leveza do papel e da força do vento. A pipa contrapõe-se à tecnologia dos aviões. Eu arriscaria dizer que sobem muito mais pipas do que aviões, caem muito mais pipas do que aviões, mas aviões dão mais no que falar. Foi-se o tempo em que até um avião era uma espécie de pipa, foi-se o tempo em que voar era apenas o sonho de voar, era só uma imaginação, era dar susto em urubu, era não ter chão embaixo dos pés e era olhar as árvores com altivez. Voar era comparado a amar quando se dizia “andar nas nuvens”. Hoje, o significado de voar é não chegar atrasado a uma reunião de negócios. O progresso talvez nos leve para frente, nos adiante no tempo, nos poupe do cansaço, mas não nos leva para dentro das coisas.

O progresso subtrai as explicações impossíveis e resulta no óbvio.

O progresso é utilitário.

Mas eis que há notícia da resistência dos inúteis, buscando vagas para suas bundas nos bancos de praça, colecionando boletins rasgados em ânsia de vergonha, nos papéis amassados de escrita delirante, nas recusas, nas entrevistas de confirmação de desemprego, no tempo gasto em longas conversas e no choro pelo leite derramado literalmente.

Só os inúteis não olham para a tua utilidade.

Só eles terão tempo para sentar com você e chorar junto o teu fracasso.

Só eles aceitarão voar ao teu lado na luz e no vagar da luz.

Bons poetas cultivam o bigode

Helvio Henrique de Campos é formado em História, funcionário público e poeta (pura pretensão), residente na fria Guarapuava no Estado do Paraná. Ama e é amado por Emilie, sua linda esposa e resolveu publicar suas idéias poéticas...

Premiado com a bolsa Funarte de criação literária/2009.

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Paulo em
Neusa Maria de Azeve… em à Emilie
Julio em Revista Continnum

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